#GreveGeral

“População, preste atenção: calamidade é o governo do Pezão”, rimavam os manifestantes em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro no ato que começou às 14h de ontem (28/04), contra os desmandos do governo estadual e as reformas da Previdência e trabalhista. O repertório era farto, proporcional à insatisfação com os governos Pezão e Temer. Entre os versos cantados estavam “Vergonha, vergonha, governo sem vergonha” e “Quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro”. E a polícia atiçou. Em poucos minutos de passeata, lançou bombas pra cima das pessoas que estavam reunidas pacificamente. “A reação da PM impediu que a manifestação democrática acontecesse. O Batalhão de Choque e a Força Nacional tacaram bombas sobre a manifestação de forma arbitrária e autoritária”, lembra Tarcísio Motta, que estava no ato e foi um dos que sofreram com os efeitos do gás lacrimogênio.

O plano era caminhar da Alerj em direção à Candelária e voltar pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia, onde aconteceria o grande ato contra as reformas. Mesmo ao som de bombas e de tiros, os manifestantes continuaram o trajeto. Na Candelária, policiais posicionados atrás da igreja, já informavam o que estavam fazendo ali. Não era para garantir a segurança dos trabalhadores que estavam reivindicando seus direitos, e sim para fazer uma caçada a essas pessoas.

Grupos se separaram pelas principais ruas do Rio de Janeiro e a polícia chegava atirando e lançando bombas em quem aparecesse na sua frente. Alguns se abrigaram nos subsolos das estações de metrô, outros corriam contornando quarteirões. Alguns foram para a Praça Tiradentes, outros para a da Cruz Vermelha ou para a Lapa. Longos e inusitados caminhos para alcançar a Cinelândia. Mas a 500 metros dali estavam a cavalaria da PM, prontos para reprimir o protesto. A polícia, em seu Twitter, publicava posts que mais pareciam ficção para quem viu a manifestação de perto: “A PMERJ continua atuando nas ruas do Centro do Rio para conter atos violentos promovidos em meio às manifestações”. Como isso poderia ser possível se a própria PMERJ era autora de atos violentos?

A violência por parte da polícia foi tão grande que a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro emitiu nota oficial em defesa do direito de manifestação ainda enquanto os conflitos estavam acontecendo: “Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. Se houve excessos por parte de alguns ativistas, a Polícia deveria tratar de contê-los na forma da lei. Mas o ataque com métodos de tocaia e a posterior perseguição por vários bairros a pessoas que tão-só exerciam seu direito à manifestação representa grave atentado à Constituição e ao Estado democrático de Direito”.

Não bastasse a ameaça a seus direitos e a perseguição da polícia que deveria protegê-los, os trabalhadores ainda são injustiçados quando reportagens parciais resumem esses atos de violência como conflitos entre manifestantes e polícia. Tarcísio Motta ressalta que foi muito mais que isso: “Foi uma ação orquestrada pela polícia do Estado para impedir que a legítima manifestação contra as reformas acontecessem na Cinelândia”. Mas amanhã vai ser maior.

 

Por Vivi Fernandes, Jornalista e Assessora de Imprensa do Mandato Coletivo Tarcísio Motta

PSOL Carioca

Site oficial do Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade da Cidade do Rio de Janeiro #50

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