Nota em repúdio às operações policiais no Jacarezinho

Tião, presente! André, Presente!

Mais dois trabalhadores foram mortos em um confronto do qual eles não faziam parte. Desde sexta-feira, 11, a população da Favela Jacarezinho sofre com sucessivas operações policiais, como na que deu origem ao assassinato do feirante Sebastião da Silva, 46, e agora, do mototaxista André Medeiros, falecido nesta quarta, 16 de agosto. As forças policiais do estado enfrentam traficantes à luz do dia no intuito de vingar a morte de um membro da CORE, polícia civil. Porém, faz isso em momentos de trânsito intenso para o trabalho e escola, levando milhares de moradores a viver uma situação de terror dentro e próximo à favela. Faz isso também aparentemente sem planejamento ou inteligência, agindo com ódio e inconsequência, abarcando nessa busca por vingança muita gente que não tem nada a ver com essa situação, mas que sofre na pele e com a vida se tornando alvo dos confrontos. Dois moradores já morreram e várias pessoas ficaram feridas, em uma semana sem qualquer resultado efetivo em relação ao ocorrido na sexta passada.

As operações nunca conseguiram resolver os problemas em relação ao tráfico e quase sempre resultam na morte de moradores e de policiais. O Rio de Janeiro está em total falência por incompetência administrativa total do PMDB e tanto seu povo, quanto seus funcionários públicos são sacrificados, literalmente, vítimas dessa política de segurança pública e desse sistema corrupto e que privilegia pequenos grupos de poder.

O PSOL Carioca entende que o problema da segurança pública não vai se resolver com mais operações em comunidades carentes. Isso, porque dificilmente as ações causam pânico, traumas e mortes e NÃO resultam na paralisação das ações dos grandes barões das drogas e do tráfico internacional de armas. Os maiores “acionistas” desse mercado gozam da proteção por parte do próprio sistema, estando atrelados a cargos públicos e posição social. Não à toa, recorrentes vezes tivemos escândalos envolvendo figuras de importantes instituições e poderes do próprio Estado. Drogas e armas não são fabricadas nas favelas e o transporte e toda movimentação desse grande material envolve a participação de muitas pessoas de fora e de dentro do próprio sistema..

Entendemos que mais militarização, armas e confrontos não cessa o consumo de drogas e sim, continua a matar e encarcerar uma população negra, jovem e precarizada desde a infância, seja nas condições de educação, saúde, ou mesmo de sociabilidade. Apesar dessas operações de guerra que vira e mexe voltam a acontecer, dos bilhões de reais investidos em segurança pública e da superlotação carcerária, nada disso consegue ainda impedir do Brasil ser um dos maiores consumidores de drogas no mundo. A proibição faz bem aos mercados, incluindo o das armas para ataque e defesa. Diversos estados dos EUA, o nosso vizinho Uruguai e vários países europeus desvincularam o problema das drogas da segurança pública e hoje, arrecadam impostos através da legalização e da descriminalização, assim como acontece com as bebidas alcoólicas e o tabaco. Entendemos que esse tema deve ser tratado como um problema de saúde pública e de reflexão para a melhora das condições de vida da população de favela.

Além da situação que acomete o Jacarezinho, no último fim de semana, após ações na região do Lins, zona norte, policiais prenderam dois trabalhadores em uma blitz. Um deles foi acusado sem provas de ter assassinado um policial momentos antes. Jamerson de Andrade, 30, estava com uma arma de paintball na mochila. Amigos, familiares e inclusive seu empregador, juntam provas para tentar liberá-lo. Com mais esse caso de abuso de poder, ficamos estarrecidos em ver a política de militarização encarcerando e vitimando pessoas que nada têm a ver com os confrontos. A situação acaba promovendo um clima de total insegurança, impondo toques de recolher para regiões inteiras da cidade, ocasionando a paralisia de transportes públicos e criminalizando o povo das periferias e das favelas, sendo a maioria de trabalhadores e negros.                       

O PSOL Carioca se solidariza com todos os trabalhadores, mulheres, crianças e idosos que estão sofrendo essa violência cotidiana, contaminados com angústia medo e cerceamento de liberdade. Por isso, chama à responsabilidade o governo do estado a por fim a esses conflitos e buscar soluções efetivas e responsáveis que terminem com esse terror na vida de milhões de moradoras e moradores do Rio de Janeiro. Além disso, conclamamos à sociedade, militantes, núcleos, setoriais, figuras públicas e parlamentares do PSOL à promoção de intenso debate sobre propostas para ações que caminhem na direção contrária à violência e barbárie impostas pelo estado. Acreditamos que a segurança pública passa antes pelos direitos humanos e a garantia do entendimento da necessidade e qualidade da educação, das ações de saúde, de uma economia sem exploração e com coletividade e dignidade de trabalho, com uma cultura que seja ferramenta de diversidade e democracia, além dos serviços de atenção social e habitação em plena justiça aos que menos possuem condições materiais.


Diretório Municipal do PSOL Carioca

Rio de Janeiro, 17 de agosto, de 2017

PSOL Carioca

Site oficial do Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade da Cidade do Rio de Janeiro #50

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