Tese Parcial

TESE PARCIAL DA ESQUERDA MARXISTA AO CONGRESSODO PSOL CARIOCA

 

EUA: Taxa de assassinato de negros é oito vezes maior que de brancos
O Globo, 11.07.2016

Policiais e seguranças privados agridem duas vezes mais negros do que brancos
Portal R7, 06.03.17

9 em cada 10 mortos pela polícia no Rio são negros ou pardos
UOL – 27.06.2017
Entre janeiro de 2016 e março de 2017, ao menos 1.227 pessoas foram mortas pela polícia no Estado do Rio de Janeiro
UOL-27.06.2017

1 – A sensação no Rio de Janeiro é de abandono total. Saúde e Educação pública estão em crise, a UERJ está abandonada, as escolas fecham dia sim dia não por causa dos tiroteios, os hospitais e postos de saúde não funcionam, o hospital da UFRJ pode fechar por falta de verbas. O transporte público funciona mal, os donos de ônibus enriquecem, e ainda que um tenha ido para a prisão, os donos do metrô, dos trens e das barcas nem aparecem nos noticiários, são todos S.A. no qual o dono provavelmente está no exterior. E o proletariado sacoleja nos trens apertados, é sufocado no metrô e quase nem consegue entrar nos ônibus cheios, quando tem ônibus. Mas tem uma parte que o Estado quer fazer voltar a funcionar – a segurança pública. Assim, tropas do exército são despejadas no Rio e o discurso é de que temos uma guerra, o bem contra o mal, polícia versus criminosos, mocinhos e bandidos dominamas capas de jornais. Mas, no fundo, os dados citados dos EUA mostram que o problema é muito mais embaixo, o capitalismo está em crise e arrasta a sociedade inteira para o abismo. O Soldado que discutia com um intelectual durante a revolução russa de 1917 (relatado por Jonh Reed, no livro “10 dias que abalaram o mundo”) é muito mais atual: “Existem duas classes, burguesia e proletariado (…)”.

2 – O imperialismo não encontra saída para sua crise e os ataques aos trabalhadores resultam no aumento do desemprego, miséria, fome, guerras, migrações forçadas e tantas formas de empurrar a humanidade para o abismo da barbárie. Mas os trabalhadores resistem, e temos visto nos últimos anos as maiores lutas desde o fim da URSS com uma juventude vibrante e decidida que toma a frente das batalhas em todo o mundo. E são os terremotos na luta de classes como Podemos,Sanders, Syriza, França Insubmissa, Corbyn, etc., que revelam os sinais da falência política dos partidos reformistas tradicionais e abre a brecha para a ascensão de agrupamentos mais à esquerda. A condição para isso é que rompamos até o fim com o reformismo e tomemos a via do comunismo e da revolução. Vimos o resultado do “reformismo de esquerda” na Grécia, em que Syriza, eleito contra a austeridade, ao conter-se nos marcos do capitalismo, se submetendo a União Europeia, traiu os trabalhadores e destruiu-se como partido representante dos desejos das massas.

3 – O PSOL deve se colocar claramente como um partido que luta pela revolução e pelo socialismo. Um partido que pretende organizar e lutar pela abolição do regime da propriedade privada dos grandes meios de produção, solidarizando-se com a luta do proletariado ao redor do mundo com uma política guiada pelo princípio do internacionalismo.

4 – Para aparecer e construir-se como uma alternativa, devemos lançar desde já uma pré-candidatura a presidente. Assim, evitando que toda a esquerda seja levada pela campanha Lula 2018, que nada de novo e positivo pode trazer para a luta contra os ataques do capital.

5 – A Frente Ampla por Diretas Já está engolfando quase toda a esquerda. Dela participam a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, PT, PDT e PSOL, CUT, CTB, UGT e Intersindical, UNE, MST e MTST, além de outras diferentes organizações, entidades e movimentos. A nota desta frente diz: “Só a eleição direta, portanto a soberania popular,é capaz de restabelecer legitimidade ao sistema político”. Nessa frase está todo o problema desta palavra de ordem. A tarefa do PSOL não pode ser ajudar o desmoralizado sistema a recobrar um pouco de legitimidade. Não por acaso uma fração da burguesia também está defendendo Diretas Já. O aumento do voto nulo e abstenções indica que o povo não vê saída na luta por mais eleições. Diante da brutal falência das instituições burguesas, o papel da direção do movimento operário deveria ser o de explicar que só a auto-organização das massas pode abrir uma saída positiva para a classe trabalhadora. É a luta unitária contra as reformas da previdência e trabalhista, da educação e a terceirização, contra o Governo Temer e o Congresso Nacional, por um governo verdadeiramente dos trabalhadores, que pode fazer a classe aproveitar-se das fissuras na classe dominante e ajudar a avançar sua luta. Isto é o que expressou a Greve Geral de 28/4, a grande manifestação em Brasília em 24/5, e que poderia ter expressado na Greve Geral de 30/6 se a burocrática direção da CUT não tivesse desmontado essa greve geral. Uma traição que permitiu que a reforma trabalhista fosse aprovada praticamente sem combate.

6 – Para fortalecer o movimento de massas e organizá-lo, defendemos a necessidade de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora, que reúna o movimento sindical, estudantil e popular, dando voz e voto para a base, para que esta ultrapasse o bloqueio das direções conciliadoras. A instabilidade se aprofunda e é a marca da situação política, a burguesia está em um impasse e a luta de classes esquenta. Nesta situação, só a mobilização dos trabalhadores independente da burguesia pode abrir uma saída. Agitamos o Fora Temer e o Congresso Nacional, defendemos um Governo dos Trabalhadores e explicamos a necessidade de uma Assembleia Popular Nacional Constituinte para abrir caminho para a revolução contra o sistema capitalista, suas instituições, seus partidos e seus lacaios.

7 – Os militantes do PSOL devem se ater às grandes tarefas que cabem ao partido na atual conjuntura, sem se perder nas sectárias e mesquinhas intrigas por cargos e aparatos entre as tendências internas e mandatos parlamentares. A reorganização da classe trabalhadora na luta por sua emancipação é muito maior do que isso.

Venceremos!

 

Assinam:

Celia SatiyoSeto

ErickaDelforge Medeiros Creador

Felipe Araujo Fernandes

Fabiano Adalberto de Almeida

Fernando Borges Leal

Frederico de Souza Blanco Reis

Glaucia Almeida Reis Blanco

KatharinaBorchers Azevedo

Larissa Cristina Rego Duarte

Leonardo Mendes Neves Félix

Luiz Claudio Antas Moreira

Luiz Roberto Bicalho Domingos

Luiz Otávio Gomes Osilieri

Maiara dos Santos Barbosa

Mauro Nunes de Abreu

Pedro Henrique Correa

Pedro Soares de Lima

Contato: Fernando Leal – fernandoleal2016@gmail.com – (21) 97292-8830