Tempestade no Rio: cidade para quem?

As chuvas da noite desta terça, 9, tomaram mais uma vez o povo carioca de surpresa, com 10 mortes confirmadas e causando grandes danos materiais, com pessoas que perderam tudo ao terem suas casas alagadas de forma impressionante. Num verdadeiro caos urbano, enchentes, deslizamentos de terra e quedas de árvores levaram ao fechamento e suspensão da maioria dos serviços.

O PSOL Carioca se solidariza com os familiares e amigos das vítimas, cujas mortes poderiam ter sido evitadas.

É a segunda vez nesses quase 100 dias do ano de 2019 que a cidade do Rio amanhece após uma “chuva atípica”, como o prefeito Marcelo Crivella gosta de falar. Eventos atípicos como esse não são acidentes, mas resultado do agravamento da crise ambiental por que passamos após séculos de um sistema econômico predatório ao meio ambiente e altamente desigual e superexploratório dos seres humano. Os seus resultados trágicos são também consequência das medidas de austeridade e das prioridades políticas dos governantes, que não privilegiam a segurança física e o bem-estar da enorme maioria dos cidadãos. Os mortos em consequência das tempestades são vítimas de um de um modelo de cidade segregador, onde a maioria da população não tem acesso a condições de vida dignas, onde investimentos em infraestrutura e planejamento são preteridos. A lógica que faz repetir tragédias ambientais é a mesma que pela violência de Estado e pela falta de assistência vitima pobres, negros e negras, moradores das favelas.

Essa dívida ambiental pertence às grandes corporações industriais e extrativistas, mas, graças às negligências de empresários e gestores públicos, são os mais pobres, em sua maioria negros e negras, pessoas que já vivem nas situações mais precárias as mais vulneráveis e as mais atingidas por seus impactos. Foi assim em Brumadinho e Mariana, foi assim em Moçambique, é assim nas tempestades do Rio de Janeiro que mataram nove pessoas em fevereiro e deixou prejuízos imensuráveis para famílias inteiras principalmente na Rocinha, no Vidigal e em Guaratiba.

Essa crise ambiental não pode ser desculpa para a negligência do Estado em prever e prevenir esse tipo de situação. O PSOL Carioca está interessado em saber o que poderia ter sido evitado e se há responsabilidade da Prefeitura sobre os danos e sobre as mortes ocasionadas pelos alagamentos e deslizamentos de terra. Nos últimos dois anos, Crivella retirou cerca de 90% da verba destinada à prevenção das enchentes e parte desse corte inclusive, foi deslocada para publicidade de seu próprio (des)governo, em 2017.

Por isso, nossa bancada de vereadores entrou com o pedido de CPI das Enchentes, que já foi instalada e terá sua segunda sessão nesta quinta feira. Com a presidência, com Tarcísio Motta, e a relatoria da CPI, com Renato Cinco, a CPI deve propor um conjunto de ações e políticas públicas para prevenir e mitigar os efeitos de enchentes.

O PSOL reafirma seu compromisso em lutar por um outro modelo de cidade, onde as pessoas tenham acesso à moradia e ao trabalho dignos, onde o lucro de alguns não valha mais do que a vida de outros, onde a resposta para a miséria e a violência urbana não seja a militarização, o extermínio e encarceramento em massa da população negra, onde a nossa forma de produzir e consumir possa garantir o bem viver de todos e todas.

Em momentos como esse, é fundamental a solidariedade entre as pessoas. Conclamamos toda a militância do PSOL a estar alerta nesse momento e a prestar ajuda a quem mais está precisando. No entanto, ainda chove forte e as pessoas não devem se arriscar. Em breve lançaremos informações sobre doações e demais formas de prestarmos solidariedade aos atingidos e atingidas.

Ecossocialismo ou barbárie!

Executiva Municipal do PSOL Carioca

PSOL Carioca

Site oficial do Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade da Cidade do Rio de Janeiro #50

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