Provocação, tumulto e falsa narrativa

Nota da bancada do PSOL a respeito dos acontecimentos ocorridos na CMRJ na noite do dia 26/04

O Parlamento, na forma como sempre o defendemos, é um espaço para a discussão plural de ideias. Toda a Casa Legislativa tem o dever de acolher a participação popular, e toda a agenda de trabalho parlamentar impõe necessariamente a escuta efetiva das demandas da população, representantes que são da vontade do povo.

No dia 26 de abril, o mandato do vereador Leonel Brizola realizou um evento em memória da Revolução Cubana no auditório da Câmara Municipal. É do espírito desta Casa abrigar eventos de diferentes matizes políticas, e todos serão sempre passíveis de discordância, como se espera em uma democracia. A manifestação livre de ideias, porém, não guarda qualquer relação com o oportunismo das práticas de intimidação e de falsas denúncias.

Os integrantes do MBL que estiveram presentes na Câmara para “acompanhar” o evento promovido pelo parlamentar do PSOL não queriam meramente manifestar a sua discordância. Eles queriam impor o tumulto, o constrangimento. Inicialmente, abordaram o vereador Tarcísio Motta, que saía de uma audiência pública realizada pela CPI das enchentes e se dirigia para outra atividade fora da Câmara e insistiram para que este desse declarações sobre a Revolução Cubana. De forma educada, o vereador afirmou mais de uma vez que se colocava à disposição para debater o assunto, mas em condições mais respeitosas de abordagem e método. Diante da insistência das perguntas provocativas, o vereador pediu para encerrar a conversa mais de uma vez e, diante da intransigência do militante que filmava, se retirou da Câmara.

Portanto, desde o início, ficou claro que o MBL não queria diálogo, mas tumulto.

E foi o que acabou acontecendo. Após a saída do vereador Tarcísio Motta, os militantes do MBL seguiram abordando de forma provocativa e debochada alguns convidados que chegavam para a atividade do vereador Leonel Brizola. Ameaçaram invadir o pequeno auditório onde estavam os convidados da Associação José Martí, dentre eles o Consul de Cuba, e foram contidos pelos seguranças da Câmara de Vereadores. Os acontecimentos seguintes comprovam que esse era o real intuito da ação: os empurrões, pontapés e até o spray de pimenta (jogado por eles!) foram devidamente filmados e editados para construir uma narrativa falsa de agressão num conflito provocado intencionalmente para gerar imagens, usá-las nas redes sociais, ganhar likes e ampliar seguidores.

Se a intenção fosse, de fato, debater a Revolução Cubana, teriam aceitado a proposta do vereador Tarcisio e marcado um debate com tempo e regras claras para permitir opiniões diferentes sobre o assunto. Ou poderiam simplesmente ter perguntado se havia espaço para um contraponto na atividade realizada pelo vereador Brizola e se adequado às regras definidas pelos organizadores do evento. Se a intenção era manifestar sua discordância com realização da atividade em si, poderiam ter feito seu protesto na entrada da Câmara e até abordado os convidados naquele espaço por onde todos passariam. Qual a razão então para, de câmera em punho, provocar, debochar e depois tentar entrar no espaço reservado para atividade e seus convidados?

Mais uma vez, o que queriam não era o diálogo. Era o tumulto!

Situações como esta tem se tornado frequentes em eventos do PSOL. Temos sido recorrentemente abordados de forma desrespeitosa por integrantes do MBL: eles não se identificam, ou se apresentam de forma deslealmente dissimulada, e nos abordam com câmeras em punho para colher declarações sobre os questionamentos que apresentam. Os vídeos são editados, recortados, retirados de contexto, e publicados em suas redes sociais com uma pretensa narrativa de denúncia.

Ora, ninguém precisa se disfarçar para saber exatamente o que pensamos sobre os assuntos alvo da discórdia desses movimentos. Nós apresentamos os nossos posicionamentos semanalmente nos plenários das Casas Legislativas, nas nossas redes sociais, em nossos encontros de prestação de contas para a população. E não nos furtamos a dar entrevistas, a marcar conversas e debates, a explicar qualquer posicionamento – isto o fazemos por princípio, desde que garantidos o respeito e as condições mínimas para a exposição e a defesa de ideias, para a escuta atenta do outro, para a respeitosa divergência democrática. De forma proposital, nenhum destes requisitos esteve presente na oportunista ação do MBL que, ao fim e ao cabo, visava apenas sua autopromoção.

Bancada de vereadores do PSOL na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

PSOL Carioca

Site oficial do Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade da Cidade do Rio de Janeiro #50

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